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O debate em torno do futuro da mobilidade está na ordem do dia e, no centro de todas as atenções, estão os veículos a combustão. Com as metas europeias para a redução de emissões e o crescimento do mercado dos automóveis elétricos, muitos condutores em Portugal começam a questionar-se: vale a pena continuar a investir num carro a gasóleo ou a gasolina? Qual será o verdadeiro futuro destes motores?

A verdade é que os motores tradicionais, também conhecidos no meio técnico como motores térmicos, ainda representam a esmagadora maioria do parque automóvel nacional. Longe de desaparecerem do dia para a noite, estes veículos vão continuar a circular nas nossas estradas durante muitas décadas. O segredo para quem quer rentabilizar o seu investimento está em compreender as mudanças no setor e focar-se numa utilização inteligente e eficiente.

O panorama dos veículos a combustão em Portugal

Olhar para as estradas portuguesas é perceber que os veículos a combustão continuam a ser a base da mobilidade das famílias e das empresas. A transição para frotas mais ecológicas é uma realidade incontornável, mas o custo de aquisição dos modelos 100% elétricos e a necessidade de expansão da rede de carregamento público fazem com que os combustíveis tradicionais e os renováveis continuem a ser indispensáveis no nosso quotidiano.

Segundo os dados oficiais da ACAP (Associação Automóvel de Portugal), a esmagadora maioria da frota circulante no nosso país ainda depende de combustíveis fósseis. Embora as vendas de veículos eletrificados (híbridos e elétricos a bateria) tenham registado um crescimento acentuado nos últimos anos, a taxa de renovação do parque automóvel nacional é lenta. A idade média dos carros em
Portugal ultrapassa os 13 anos, o que significa que as decisões de compra atuais vão ter impacto nas nossas estradas até meados da próxima década.

Além disso, a evolução tecnológica permitiu que os motores a combustão atuais sejam infinitamente mais limpos, económicos e eficientes do que os de há uma década. Graças a sistemas avançados de filtragem de gases (como os filtros de partículas e os sistemas AdBlue) e de gestão eletrónica, os automóveis modernos conseguem entregar excelentes desempenhos com consumos e emissões muito reduzidos, cumprindo as exigentes normas ambientais Euro.

Como prolongar a vida útil de um motor a combustão

Manter um carro a funcionar de forma impecável durante anos não é uma questão de sorte, mas sim de disciplina. Garantir a saúde mecânica do seu automóvel protege o seu investimento, valoriza o veículo no mercado de usados e evita surpresas desagradáveis na hora de ir à oficina.

A importância da manutenção e dos combustíveis aditivados

Para que um motor a combustão dure centenas de milhares de quilómetros sem dar problemas graves, existem dois fatores que nenhum condutor pode descurar. Ora, confira.

• Manutenção preventiva rigorosa: Mudar o óleo do motor e os respetivos filtros dentro dos prazos ou quilometragens estipuladas pelo fabricante é o cuidado mais básico e obrigatório. O óleo é o sangue do motor; se estiver degradado ou abaixo do nível ideal, o atrito entre as peças metálicas aumenta, os componentes desgastam-se prematuramente e o consumo de combustível dispara. Além disso, a • substituição atempada das velas de ignição (nos carros a gasolina) ou a verificação das velas de incandescência (nos motores a gasóleo) garante uma queima regular e eficiente.
• A escolha do combustível: Nem todos os combustíveis são iguais. Utilizar combustíveis aditivados faz uma diferença brutal a médio e longo prazo. Estes produtos contêm agentes de limpeza e fricção que removem progressivamente os resíduos de carvão que se acumulam nas válvulas, nos pistões e nos injetores. Ao manter o sistema de injeção limpo, garante-se uma pulverização perfeita do combustível, o que se traduz numa combustão otimizada, menor emissão de fumo e maior proteção dos componentes internos contra a corrosão.

Mitos e verdades sobre o fim dos carros a gasóleo e gasolina

Existem muitos mitos e desinformação a circular sobre as proibições da União Europeia aos veículos a combustão. Vamos esclarecer os pontos essenciais com base no pacote legislativo "Objetivo 55".

• Os carros a combustão vão ser proibidos de circular? Mito. A legislação aprovada pelo Parlamento Europeu estabelece uma meta de redução de 100% nas emissões para os novos veículos ligeiros de passageiros e comerciais ligeiros a partir de 2035. Isto significa que, a partir desse ano, cessa a venda de carros novos equipados com motores tradicionais a combustão fóssil. No entanto, todos os carros adquiridos até essa data poderão continuar a circular, a abastecer nos postos e a ser comercializados no mercado de segunda mão sem qualquer restrição legal.

• O mercado de combustíveis vai acabar? Mito. Mesmo após a barreira de 2035, a necessidade de abastecer os milhões de veículos existentes vai manter a rede de distribuição ativa. A grande diferença não será o desaparecimento dos postos, mas sim a transformação do que colocamos no depósito, com um peso cada vez maior de soluções renováveis.

• Os combustíveis sintéticos são uma alternativa viável? Verdade. O acordo europeu deixou uma porta aberta para a utilização de combustíveis neutros em carbono (e-fuels) após 2035. Estes combustíveis são produzidos através da captura de CO2 atmosférico combinado com hidrogénio verde, permitindo que os motores térmicos funcionem com emissões líquidas nulas.

O papel dos biocombustíveis na transição energética

O futuro dos veículos a combustão não passa obrigatoriamente pela sua extinção, mas sim pela sua descarbonização imediata. É aqui que entram os biocombustíveis avançados, uma das áreas onde a PRIO tem focado grande parte do seu investimento, investigação e inovação.

Ao contrário das soluções que exigem a troca total de veículo, algo que nem todas as famílias portuguesas conseguem comportar a curto prazo, os biocombustíveis apresentam uma vantagem esmagadora: são uma solução imediata e de transição justa.

Os biocombustíveis de segunda geração são produzidos a partir de resíduos orgânicos, matérias-primas circulares e óleos alimentares usados. A grande vantagem desta tecnologia é que ela é compatível com os alguns motores a combustão e com as infraestruturas de distribuição já existentes. Isto significa que pode reduzir drasticamente as emissões de gases com efeito de estufa do seu carro atual hoje mesmo, sem necessidade de fazer qualquer modificação mecânica ou de gastar milhares de euros num automóvel novo.

O impacto financeiro: combustão vs. eletrificação

Embora os carros elétricos ofereçam um custo por quilómetro geralmente mais baixo quando carregados em casa, o custo total de propriedade (TCO) de um veículo a combustão continua a ser altamente competitivo para muitos perfis de condutores em Portugal. Quem realiza grandes tiradas diárias em autoestrada ou não tem possibilidade de carregar o veículo numa garagem privada encontra no motor térmico a autonomia e a conveniência de que necessita.

Adicionalmente, o mercado de manutenção de carros a combustão está maduro, o que significa que o acesso a peças de substituição e a oficinas qualificadas é universal e económico. Garantir que faz escolhas conscientes no combustível que utiliza, evitar acelerações bruscas a frio e manter a rotina de revisão do seu veículo em dia são os passos certos para continuar a usufruir da fiabilidade e versatilidade que só os automóveis a combustão oferecem, caminhando lado a lado com um futuro mais sustentável nas estradas de Portugal.




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