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O transporte marítimo continua a ser um dos pilares do comércio global, assegurando o movimento de mais de 80% do volume do comércio mundial, segundo a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Contudo, esta dependência dos mares tem um custo ambiental significativo. A descarbonização marítima - que é a redução e eliminação progressiva das emissões de gases com efeito de estufa (GEE) neste setor - é uma prioridade global e europeia, alinhada com metas climáticas ambiciosas de redução de carbono até 2030 e neutralidade climática até 2050.
Este artigo explica o que é a descarbonização marítima, os desafios que enfrenta e, de forma prática, as soluções possíveis, incluindo iniciativas e produtos PRIO que estão a contribuir para um transporte marítimo mais sustentável.
O que significa descarbonizar o transporte marítimo
Em termos simples, descarbonizar significa diminuir a dependência de combustíveis fósseis e adotar fontes de energia com menor ou nenhuma emissão de carbono.
A descarbonização marítima é um processo que visa reduzir as emissões diretas de CO₂, óxidos de azoto (NOx), dióxido de enxofre (SO₂) e outras partículas associadas à queima de combustíveis fósseis nos navios. Dado que o setor é responsável por cerca de 3% das emissões globais de GEE, reduzir este impacto é essencial não só para cumprir objetivos ambientais, mas também para estimular a inovação em tecnologias de energia limpa e combustíveis alternativos.
Porque o transporte marítimo precisa de descarbonizar
Ao contrário de sectores como os transportes rodoviários ou a aviação, o transporte marítimo evoluiu relativamente lentamente na transição energética, em parte devido à complexidade técnica, à escala da frota global e à dependência de combustíveis volumosos e densos em energia.
Grande parte dos navios utiliza óleo pesado ou gasóleo marítimo convencional, que embora esteja a evoluir para alternativas ligeiramente mais limpas, ainda resultam em emissões significativas. Este padrão não só contribui para as alterações climáticas como também para poluição local em portos e zonas urbanas costeiras.
Além disso, com o aumento previsto do comércio internacional e do tamanho das frotas nos próximos anos, estima-se que sem medidas adicionais, as emissões marítimas possam continuar a crescer.
O quadro regulatório internacional e europeu
A descarbonização marítima é impulsionada por políticas internacionais e regionais com legislação ativa, como a União Europeia.
IMO: Organização Marítima Internacional
A Organização Marítima Internacional (IMO) lidera os esforços globais. Em julho de 2023, a IMO reviu a sua estratégia, estabelecendo metas ambiciosas que foram celebradas pelo Governo português:
• Redução das emissões em pelo menos 20%, esforçando-se por 30%, até 2030 (relativamente a 2008;
• Redução de pelo menos 70%, com esforços para 80%, até 2040;
• Atingir emissões líquidas zero por volta de 2050.
Em abril de 2025, a IMO aprovou um marco regulatório histórico que estabelece uma trajetória vinculante para a redução da intensidade de carbono para navios com mais de 5.000 toneladas de arqueação bruta, responsáveis por 85% das emissões do setor, com entrada em vigor prevista a partir de 2028.
União Europeia: EU ETS e FuelEU Maritime
A UE tem avançado com medidas robustas através do pacote "Fit for 55".
EU ETS (Sistema Europeu de Comércio de Emissões): Desde 1 de janeiro de 2024, o EU ETS inclui o transporte marítimo. As empresas de navegação que operam em portos europeus são obrigadas a adquirir licenças de carbono de forma faseada:
• 40% das emissões de 2024;
• 70% das emissões em 2025;
• 100% das emissões a partir de 2026.
O sistema cobre 100% das emissões em viagens entre portos da UE e 50% das emissões em viagens entre portos da UE e países terceiros.
FuelEU Maritime: Entrou em plena aplicação em 1 de janeiro de 2025 e estabelece limites máximos para a intensidade de GEE da energia utilizada a bordo de navios acima de 5.000 toneladas que escalam portos europeus. As metas são progressivas:
• Redução de 2% da intensidade de GEE em 2025 (face a 2020)
• Redução de 6% em 2030
• Redução de 80% até 2050
O regulamento também exige que navios de passageiros e contentores utilizem energia fornecida em terra (shore power) durante estadias superiores a duas horas em portos principais da rede TEN-T, a partir de 2030, e em todos os portos da UE com capacidade OPS a partir de 2035, reduzindo emissões durante a atracação.
Estas medidas não só alinham o setor com a meta climática europeia (redução líquida de emissões em 55% até 2030) como também incentivam a adoção de combustíveis alternativos de baixo carbono.
Desafios técnicos e económicos
Dependência de combustíveis fósseis
Uma das maiores barreiras é a infraestrutura: os navios são projetados para combustíveis líquidos pesados, e a substituição por alternativas — como hidrogénio verde, amónia ou e-combustíveis — exige mudanças profundas nos sistemas de propulsão, armazenamento e logística de abastecimento.
Custo e escala de produção
Combustíveis alternativos ainda são relativamente caros e pouco disponíveis em escala global. A produção de hidrogénio verde, por exemplo, depende de eletrólise alimentada por energia renovável, que ainda está em fase de expansão tecnológica e de investimento.
Eficiência operacional
Mesmo com combustíveis mais limpos, continua a ser essencial melhorar a eficiência energética dos navios através de design de cascos, otimização de rotas e uso de tecnologias como velocidade reduzida (slow steaming), que diminui consideravelmente o consumo de combustível.
Soluções e boas práticas para descarbonizar o mar
Energia em terra (shore power)
Conectar navios à rede elétrica enquanto estão no porto evita a utilização de motores auxiliares para fornecer energia a bordo, reduzindo emissões locais e ruído. Esta prática está a ser promovida como parte do regulamento FuelEU Maritime.
Combustíveis alternativos e renováveis
Os armadores estão a testar e a integrar combustíveis com menores emissões, como:
• Hidrogénio verde e amónia renovável;
• Metanol renovável;
• e-combustíveis (e-fuels);
• Biocombustíveis avançados.
Estes combustíveis, quando produzidos com energia renovável, podem entregar reduções significativas de emissões ao longo do ciclo de vida.
Casos de avanço tecnológico e operacional
Armadores e empresas tecnológicas estão a investir em:
Navios híbridos e biocombustíveis
Algumas frotas estão a ser equipadas para operar com misturas de biocombustíveis, reduzindo emissões sem comprometer potência nem autonomia.
Monitorização e dados de emissões
Ferramentas que reúnem dados em tempo real sobre consumo de energia e emissões permitem decisões mais informadas sobre rotas, velocidades e eficiência operacional.
Portugal e a descarbonização marítima
Portugal, com uma forte conexão ao mar, está envolvido tanto nas políticas europeias como em iniciativas nacionais que visam tornar o transporte marítimo mais sustentável.
A estratégia Portos 5+, aprovada pelo Governo português em julho de 2025 para o período 2025-2035, prevê um investimento total de cerca de 4 mil milhões de euros nos portos nacionais, dos quais 250 milhões de euros serão especificamente destinados à descarbonização e sustentabilidade, incluindo a instalação de infraestruturas de energia em terra (Onshore Power Supply) em todos os portos comerciais do continente.
O Porto de Lisboa tem em curso, desde 2023, um plano faseado para instalar capacidade OPS no Terminal de Cruzeiros e nos terminais de carga da Zona Oriental, com conclusão prevista entre 2025 e 2027. O porto reforça o seu compromisso com a descarbonização, liderando inclusive o Comité de Sustentabilidade da Atividade de Cruzeiros em Lisboa e o Comité do Desenvolvimento Sustentável da ESPO - Associação Europeia de Portos Marítimos.
O Porto de Leixões estabeleceu o ambicioso objetivo de alcançar a neutralidade carbónica e tornar-se autossuficiente energeticamente em 2035, através do projeto "Roadmap para a Transição Energética". Este porto, que é o principal porto exportador do país, está também a avançar com um novo terminal de contentores na zona Norte e expansão do terminal Ro-Ro na zona Sul.
O Porto de Sines, que movimenta mais de metade da carga do país, está a concretizar a expansão do Terminal XXI e o lançamento do novo terminal Vasco da Gama, reforçando a sua vocação de transbordo na carga contentorizada e a afirmação como porto industrial de energias e combustíveis verdes.
Estes investimentos e compromissos demonstram que Portugal está a posicionar-se estrategicamente no contexto da descarbonização marítima europeia, promovendo um ambiente de maior eficiência energética e menor impacto ambiental.
O papel da PRIO na descarbonização marítima
A PRIO está a reforçar o seu compromisso com a transição energética também no setor marítimo. Aproveitando a experiência em combustíveis avançados e na integração de energias renováveis, a marca tem promovido soluções que respondem às exigências regulatórias e ambientais em curso.
Combustíveis Sustentáveis PRIO no setor marítimo
Como destacado pela PRIO no podcast sobre o desafio da descarbonização marítima, onde Telmo Ferreira, responsável de Marítimo e de Negócios Emergentes da PRIO, explica os desafios e oportunidades no setor, os biocombustíveis avançados produzidos pela PRIO oferecem uma alternativa viável aos combustíveis fósseis tradicionais, podendo ser utilizados em motores já existentes sem necessidade de adaptações significativas.
Estes combustíveis:
• Contêm componentes de origem renovável que reduzem a pegada de carbono do navio;
• Ajudam a diminuir a formação de partículas contaminantes e poluentes locais;
• Contribuem para que operadores cumpram requisitos cada vez mais rigorosos da legislação europeia e internacional.
A solução é particularmente relevante no contexto da descarbonização marítima porque equilibra a disponibilidade atual com a necessidade real de reduzir emissões já no presente, mesmo antes da adoção massiva de combustíveis de próxima geração.
Eco Bunkers PRIO: combustíveis marítimos mais verdes
A principal contribuição da PRIO para a descarbonização marítima é o desenvolvimento e fornecimento dos Eco Bunkers, combustíveis avançados com componentes renováveis que podem ser usados em motores marítimos convencionais sem necessidade de adaptações significativas.
Estes combustíveis oferecem vantagens importantes:
• Reduzem significativamente a pegada de carbono das embarcações;
• Diminuem a emissão de partículas poluentes e contaminantes locais;
• Ajudam os operadores marítimos a cumprir as normas cada vez mais rigorosas da legislação europeia e internacional;
• Permitem uma transição energética imediata e eficaz, equilibrando a necessidade de redução de emissões com a disponibilidade atual no mercado.
Investimento em sustentabilidade e inovação
Para além do Eco Bunkers, a PRIO está ativamente envolvida em iniciativas e parcerias que promovem a inovação na mobilidade marítima sustentável, apoiando projetos que exploram novas tecnologias e soluções energéticas para o setor naval.
Infraestruturas de abastecimento e suporte operacional
A PRIO tem vindo a investir no desenvolvimento de infraestruturas para facilitar o abastecimento de combustíveis mais limpos e sustentáveis, contribuindo para criar um ecossistema de apoio à transição energética no setor marítimo.
Desta forma, a PRIO posiciona-se como um parceiro estratégico dos operadores marítimos, oferecendo soluções integradas que conjugam combustíveis avançados, sustentabilidade e inovação tecnológica, ajudando o setor a alinhar-se com os objetivos climáticos globais.
Conclusão: mar mais limpo e mais eficiente
A descarbonização marítima é um desafio complexo, que exige coordenação entre política, tecnologia e economia global. A transição para combustíveis mais limpos e eficientes não é um processo simples nem imediato, mas é impulsionada por metas internacionais, legislação europeia e inovação contínua.
Marcas como a PRIO, com soluções de combustíveis avançados e iniciativas de transição energética, estão a contribuir para um setor marítimo mais sustentável e alinhado com os objetivos climáticos do presente e do futuro.
A adaptação do transporte marítimo às exigências ambientais é também uma oportunidade de promover novos modelos de negócio, tecnologias e práticas mais eficientes - com benefícios para a economia, para as comunidades costeiras e para todo o planeta.
Veja também:
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