Voltar
Certifique-se de que o texto está escrito corretamente.
Tente outros termos de pesquisa.
Introduza um texto mais geral.
Comprar carro elétrico usado pode ser uma forma inteligente de entrar na mobilidade elétrica sem pagar o preço de um modelo novo. Mas um elétrico em segunda mão não se avalia como um carro a combustão: o que mais conta já não é o motor, e sim a bateria, a garantia que ainda existe e a forma como o carro foi carregado ao longo da vida. Neste guia explicamos o que verificar, que perguntas fazer e que erros evitar antes de assinar.
Vale a pena comprar carro elétrico usado?
Depende do que procura e do que está disposto a verificar. Há argumentos fortes a favor:
• o preço de entrada costuma ser mais baixo do que o de um modelo novo equivalente;
• o custo de utilização por quilómetro tende a ser inferior ao de um carro a combustão;
• em Portugal, os veículos 100% elétricos estão isentos de Imposto Único de Circulação (IUC). Convém, ainda assim, confirmar a situação do veículo concreto no Portal das Finanças.
Do outro lado da balança, há riscos que não existem num carro novo: uma bateria já desgastada, tecnologia que pode estar desatualizada e menos garantia disponível. A boa notícia é que a maior parte destes riscos pode ser avaliada antes da compra, desde que saiba onde olhar.
A bateria é o que mais importa
A bateria é o componente mais caro de um carro elétrico e o que mais influencia o valor de um usado. O indicador que deve procurar é o estado de saúde da bateria, conhecido pela sigla SoH (State of Health), que compara a capacidade atual com a
capacidade que a bateria tinha quando era nova. Quanto menor o valor, menor a autonomia real do carro.
Há alguns cuidados a ter ao pedir esta informação:
• Peça o relatório de saúde da bateria por escrito, com a data, os quilómetros do carro nessa altura e quem o realizou. Uma frase dita no stand não conta como prova;
• Desconfie de valores que aparecem apenas no ecrã do carro ou no anúncio - são, em muitos casos, estimativas e não uma medição independente;
• Se possível, peça um diagnóstico a uma oficina ou entidade independente, sobretudo se o carro estiver perto do fim da garantia da marca;
• Compare a autonomia indicada no carro, com a bateria carregada, com a autonomia original do modelo - uma diferença muito grande é um sinal de alerta.
Quanto à garantia da bateria, a DECO PROteste aconselha a procurar modelos com garantia de fábrica para as baterias de, pelo menos, 8 anos ou 160 mil quilómetros, assegurando a substituição da bateria sempre que a capacidade de armazenamento descer abaixo dos 70%. Verifique quanto tempo e quantos quilómetros ainda restam dessa garantia e se ela é transferível para o novo proprietário. Esta é uma das perguntas mais importantes que pode fazer.
Um aviso adicional: segundo um estudo da DECO PROteste, as marcas mostraram pouca transparência quanto ao custo de substituir a bateria depois de a garantia terminar. Por isso, a proteção mais segura é comprar um carro cuja bateria ainda esteja coberta.
Garantia e direitos de quem compra um usado
Os seus direitos dependem de quem lhe vende o carro. Se a compra for feita a um profissional (stand ou concessionário), aplica-se o regime de garantia dos bens de consumo, previsto no Decreto-Lei n.º 84/2021. A regra geral é uma garantia de 3 anos, mas, no caso de bens usados, as partes podem acordar a redução para 18 meses, como explica a DECO PROteste. Leia sempre o contrato para saber qual o prazo que está a ser acordado.
Se comprar a um particular, estas regras de consumo não se aplicam da mesma forma, e a proteção é bastante menor. Nestes casos, a verificação prévia do carro e da bateria torna-se ainda mais importante.
Lembre-se de que a garantia legal do vendedor e a garantia da bateria dada pela marca são coisas diferentes, e podem coexistir.
O que verificar além da bateria
Uma vez avaliada a bateria, há outros pontos que merecem atenção antes de comprar carro elétrico usado. Tome nota.
• Histórico de manutenção e revisões: confirme que as revisões foram feitas e que o software do carro está atualizado. Os elétricos têm menos peças móveis, mas precisam de verificações regulares, como explicamos no artigo sobre a inspeção de carros elétricos.
• Tipo de ficha de carregamento: a maioria dos modelos recentes usa as fichas Tipo 2 (corrente alternada) e CCS (carregamento rápido). Alguns modelos mais antigos usam outros standards, menos comuns nas redes públicas. Confirme que o carro é compatível com os postos que vai usar.
• Carregador de bordo e potência: verifique a potência máxima de carregamento em casa e em postos rápidos, porque determina o tempo que vai demorar a carregar.
• Cabos e acessórios: confirme que o carro inclui os cabos de carregamento originais, que podem custar bastante a substituir.
• Pneus, travões e suspensão: os elétricos são mais pesados e gastam pneus mais depressa. Os travões, em contrapartida, tendem a durar mais graças à travagem regenerativa.
• Sinais de uso intensivo de carregamentos rápidos: o uso muito frequente de carregadores ultrarrápidos pode acelerar o desgaste da bateria. Pergunte ao vendedor como o carro era normalmente carregado.
• Documentação do carro: livrete, título de registo de propriedade, histórico de acidentes e eventuais reparações da bateria.
Custos e apoios: o que esperar
Ao contrário do que acontece com os carros novos, os incentivos à compra não se aplicam aos usados. Segundo o Fundo Ambiental, mantém-se a exigência de que o veículo adquirido seja novo, e a segunda fase de candidaturas de 2026 decorreu de 11 de junho a 27 de julho. Qualquer novo aviso dependerá de decisão futura, por isso convém acompanhar o site do Fundo Ambiental.
Depois da compra, conte com os custos de carregamento. Em casa, a eletricidade costuma ser a opção mais barata, e pode ser vantajoso instalar uma wallbox (veja o nosso artigo sobre quanto custa instalar uma wallbox em casa). Em postos públicos, o preço varia conforme o tipo de posto e o operador. Explicamos as contas no artigo quanto custa carregar um carro elétrico. Se vive em apartamento, leia também o que precisa de saber sobre o carregamento em condomínios.
Para carregar na rede pública, pode usar o cartão ou a aplicação de um comercializador de eletricidade para a mobilidade elétrica, ou, durante o período de transição para o novo regime da mobilidade elétrica, que termina a 31 de dezembro de 2027, pagar sem contrato com cartão bancário, através de um QR Code. Segundo a MOBI.E, a partir de 1 de janeiro de 2028 convém confirmar que o seu cartão ou aplicação continuam válidos. Saiba mais sobre o custo de carregar.
Checklist rápida antes de decidir
Antes de fechar negócio, confirme estes 7 pontos:
• Tenho o relatório de saúde da bateria, por escrito e com data?
• Quanto tempo e quantos quilómetros restam da garantia da bateria? É transferível?
• Quem me vende o carro e que garantia me dá por contrato?
• O carro é compatível com os postos de carregamento que vou usar?
• Estão incluídos os cabos de carregamento originais?
• O histórico de manutenção está completo e o software atualizado?
• Já simulei o custo de carregamento em casa e na rede pública?
Se todas as respostas forem positivas, está em boas condições de avançar com tranquilidade.
A PRIO acompanha-o depois da compra
Quando já tiver o seu elétrico, a PRIO ajuda-o a carregá-lo. Com o cartão PRIO Electric tem acesso a mais de 9.500 pontos de carregamento integrados na rede Mobi.E, sem custos de adesão nem anuidades e com energia de fontes 100% renováveis. Descubra também como escolher a melhor wallbox para carregar em casa.
Comprar carro elétrico usado exige mais atenção do que comprar um carro novo, mas com as perguntas certas e a documentação em ordem, pode fazer um excelente negócio e aderir à mobilidade elétrica com confiança.
Leia também:
• Comprar carro elétrico: o que revelam as tendências do mercado?
• Qual a wallbox ideal para si? Simule e descubra em segundos
• Será que o calor afeta mesmo a autonomia dos carros elétricos?

