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O verão de 2026 tem sido marcado por ondas de calor intensas e por um nível de perigo de incêndio rural elevado em várias regiões do interior. Segundo o Relatório Provisório de Incêndios Rurais de 2026 do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, até 31 de julho de 2026 arderam em Portugal 53.731 hectares, num total de 5.755 incêndios rurais - um valor 58% acima da média dos dez anos anteriores, o que coloca 2026 no 3.º lugar entre os anos com maior área ardida e no 5.º em número de ocorrências desde 2016, na comparação até 31 de julho de cada ano (dados também noticiados pelo Diário de Notícias e pelo Público).

Só em 2017 (146.508 ha) e em 2022 (61.745 ha) se registou mais área ardida nesta mesma janela temporal, na última década. Ainda segundo os dados do ICNF, os chamados "grandes incêndios", com 100 hectares ou mais, representaram menos de 1% do total de ocorrências, mas foram responsáveis por 81% de toda a área ardida até julho.

Nos meses mais quentes, é cada vez mais comum que estradas e autoestradas atravessem zonas afetadas por incêndios ativos ou por fumo intenso, situações que exigem atenção redobrada por parte de quem conduz.

Este artigo reúne as recomendações oficiais da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), da GNR e das concessionárias de autoestrada para quem se depara com uma zona de incêndio durante uma viagem - antes, durante e depois da situação de risco.

Vale a pena reter desde já a mensagem central destas recomendações: em caso de incêndio junto à via, a prioridade nunca é chegar ao destino, mas garantir a segurança de quem viaja e facilitar o trabalho das equipas de socorro. Todas as indicações seguintes partem deste princípio.

Antes de partir: como saber se há risco de incêndio no trajeto

Antes de qualquer viagem em época de maior risco, é recomendável consultar as previsões de perigo de incêndio rural, disponíveis diariamente nos sites oficiais do IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera e do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, bem como junto dos serviços municipais de proteção civil. Em dias classificados com perigo de incêndio muito elevado ou máximo, a ANEPC recomenda especial atenção a percursos que atravessem zonas florestais ou rurais, sobretudo no interior do país.

Se ainda for possível circular

Segundo o Plano de Ação e Resposta aos Grandes Incêndios Rurais (PARGIR), desenvolvido pela Brisa em conjunto com a ANEPC e a GNR, se a circulação numa via afetada por fumo ou proximidade de um incêndio ainda for possível, devem ser seguidas algumas regras: reduzir a velocidade, manter uma distância de segurança maior do que o habitual em relação ao veículo da frente e circular com as luzes ligadas, incluindo os quatro piscas sempre que necessário.

Em caso de visibilidade muito reduzida por fumo, a linha branca da estrada deve ser usada como referência, as janelas devem permanecer fechadas, todas as entradas de ar exterior devem ser encerradas e o sistema de climatização deve ser colocado em modo de recirculação, para evitar a entrada de fumo no habitáculo. As indicações das autoridades presentes no local devem ser sempre respeitadas, e nunca deve circular-se em sentido contrário, exceto por ordem direta de uma autoridade policial.

Se a circulação já não for possível

Quando a continuação da viagem deixa de ser segura, o veículo deve ser imobilizado fora da faixa de rodagem, afastado de vegetação e, sempre que possível, junto a estruturas sólidas, como barreiras acústicas, muros de betão, passagens superiores ou viadutos. Nesta situação, o motor, as luzes e os quatro piscas devem permanecer ligados, a buzina pode ser usada para facilitar a localização do veículo pelas equipas de socorro, e os ocupantes devem manter-se dentro do carro, sempre com as janelas fechadas.

Em caso de fumo intenso dentro do veículo

Se o fumo se tornar muito intenso mesmo dentro do carro, a recomendação é deitar no chão do veículo, respirar através de um pano molhado para proteger as vias respiratórias e, se possível, cobrir-se com um cobertor ou uma peça de roupa. Manter a calma e evitar sair do veículo sem indicação das autoridades continua a ser essencial nestas situações.

Regras que se aplicam sempre em zonas rurais durante o verão

Durante os dias classificados com perigo de incêndio elevado, muito elevado ou máximo, a legislação em vigor proíbe fumar ou acender qualquer tipo de lume nos territórios rurais e também nas vias que os delimitam ou atravessam - uma regra que se aplica diretamente a quem conduz em estradas rodeadas de vegetação. A informação atualizada sobre estas restrições e sobre os níveis de perigo de incêndio pode ser consultada nos avisos à população divulgados pela ANEPC.

Depois do incêndio: cuidados ao atravessar zonas já afetadas

Mesmo depois de um incêndio estar controlado, atravessar uma zona recentemente afetada exige cuidados adicionais. Cinzas e detritos na via podem reduzir a aderência dos pneus, sobretudo em curvas ou descidas, e árvores ou postes enfraquecidos pelo fogo podem continuar a representar risco de queda junto à estrada. Nestas situações, a velocidade deve ser reduzida, mantendo maior distância de segurança, e deve haver atenção redobrada a sinalização temporária ou a cortes de via que possam não estar ainda assinalados nos sistemas de navegação habituais.

Contactos úteis em caso de emergência

Em qualquer situação de emergência relacionada com incêndios, o contacto a usar é sempre o 112. Nas autoestradas, a aplicação SOS Autoestradas permite pedir ajuda e envia automaticamente a localização do condutor, reduzindo o tempo de resposta das equipas de socorro; em alternativa, pode ser contactada a linha de apoio da concessionária da via em causa. Antes de uma viagem por zonas com maior risco, vale a pena ter estes contactos já guardados, tal como o restante kit de emergência do carro recomendado para qualquer viagem longa.

Outros cuidados relevantes em viagens de verão

Conduzir em zonas de incêndio soma-se a outros desafios próprios da época mais quente do ano, como o calor extremo dentro do habitáculo ou o aumento do risco de avaria em viagens longas. Antes de sair de casa, vale a pena rever o checklist para preparar o carro para viajar e as recomendações sobre como arrefecer o carro em dias de onda de calor. Em caso de imobilização por qualquer outro motivo numa via rápida, os procedimentos de segurança já detalhados em o que fazer em caso de avaria na autoestrada seguem uma lógica semelhante à recomendada para zonas de incêndio.

Prevenção e calma são as melhores aliadas nas estradas em risco de incêndio

Num ano em que os incêndios rurais têm marcado o verão português com particular intensidade, conhecer antecipadamente as recomendações da ANEPC, da GNR e das concessionárias de autoestrada pode fazer a diferença numa situação de risco. Consultar o risco de incêndio antes de uma viagem, reduzir a velocidade e manter as janelas fechadas em caso de fumo, e saber quando parar em segurança são medidas simples que ajudam a proteger quem viaja e a facilitar o trabalho das equipas de socorro.

Antes de uma próxima viagem por zonas mais expostas a este risco, a rede de postos PRIO pode ser um ponto de paragem útil para verificar o estado do veículo e reabastecer com tranquilidade antes de continuar o percurso.



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