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A escolha correta dos tipos de pneus é um dos elementos mais importantes para garantir a segurança, a estabilidade e a eficiência na condução, especialmente durante os meses de verão. As temperaturas elevadas do asfalto alteram diretamente o comportamento da borracha, influenciam a pressão interna e podem afetar drasticamente a distância de travagem do veículo.

Quando os pneus não são adequados às condições meteorológicas ou circulam com uma calibração incorreta, o veículo perde aderência, aumenta o consumo de combustível e reduz a capacidade de resposta em situações de emergência.

Por isso, a compreensão das especificidades de cada composto e a sua correta manutenção são essenciais para qualquer condutor. Este guia apresenta as diferenças entre as soluções de verão e inverno, ensina a controlar a pressão e aborda os cuidados vitais ao lidar com pneus quentes.

Pneus de verão ou inverno: performance e distância de travagem

A decisão entre equipar o veículo com pneus de inverno ou verão tem um impacto direto na segurança rodoviária e no desempenho dinâmico do automóvel. Estes componentes são fabricados com polímeros e compostos de borracha totalmente diferentes, desenvolvidos para responder a amplitudes térmicas específicas.

• Pneus de verão: São concebidos estruturalmente para funcionar em pleno com temperaturas superiores a 7°C. A borracha possui uma rigidez superior, o que melhora a estabilidade em piso seco, reduz a deformação em curva e otimiza a aderência. Em condições de calor intenso, mantêm um rendimento consistente, garantindo uma menor distância de travagem.
• Pneus de inverno: Foram desenvolvidos para operar abaixo dos 7°C, em cenários de neve, gelo ou chuva intensa. A sua composição é muito mais macia e maleável. Quando expostos ao calor do verão português, estes pneus degradam-se a um ritmo acelerado, perdem eficácia de travagem e aumentam a resistência ao rolamento.

Segundo a European Tyre and Rim Technical Organisation (ETRTO), a temperatura influencia diretamente a aderência e o comportamento estrutural da borracha. Em Portugal, dado o clima predominantemente quente e seco durante a maior parte do ano, os pneus de verão surgem como a escolha natural e mais eficiente para a maioria dos condutores, ajudando também a moderar o consumo de energia do motor.

Pressão de pneus: como medir e ajustar para poupar combustível

A pressão de pneus correta é um dos fatores mais influentes na economia de um automóvel, surgindo, contudo, como um dos pontos mais negligenciados na rotina de manutenção.

Quando a pressão se encontra abaixo dos valores recomendados pelo fabricante, o pneu sofre uma maior deformação na base, aumentando a superfície de contacto com o solo de forma incorreta. Este fenómeno gera uma maior resistência ao rolamento, forçando o motor a queimar mais energia. De acordo com os dados técnicos da Michelin, circular com uma pressão significativamente baixa pode inflacionar o consumo de combustível até 5% e reduzir drasticamente a durabilidade da banda de rodagem.

Por outro lado, o excesso de pressão de pneus também é prejudicial, uma vez que arredonda o piso e reduz a área de contacto central com o asfalto, prejudicando a aderência nas curvas e tornando a condução consideravelmente mais instável.

Para aferir os valores corretos exigidos para o veículo, importa consultar os indicadores oficiais que a marca disponibiliza em três locais distintos:

• No manual de instruções do utilizador do veículo.
• Na etiqueta autocolante situada no pilar da porta do condutor.
• Na parte interior da tampa do depósito de combustível.

A aferição deve ser realizada idealmente uma vez por mês e sempre antes de se iniciar uma viagem longa de férias.

Encher pneus quentes: procedimentos de segurança e correção

O hábito de encher pneus quentes é frequentemente alvo de desinformação entre os condutores. Durante a marcha, o atrito contínuo da borracha com o asfalto gera calor, o que faz com que o ar ou o azoto no interior do pneu se expanda, elevando temporariamente a pressão interna.

Se a medição for efetuada imediatamente após uma viagem em autoestrada ou após circular mais de 3 quilómetros em meio urbano, a leitura registada no manómetro será artificialmente superior à pressão real do pneu em repouso.

Por esta razão, a recomendação unânime dos fabricantes assenta na verificação com os pneus totalmente frios. No entanto, caso seja estritamente necessário efetuar o ajuste a meio de uma viagem, deve aplicar-se o seguinte protocolo de segurança:

• Adicionar uma margem de compensação: Deve acrescentar-se cerca de 0,3 bar (aproximadamente 4 a 5 PSI) ao valor recomendado de fábrica para compensar a expansão térmica.
• Nunca esvaziar um pneu quente: Se a leitura parecer alta num pneu que esteve a rolar sob calor intenso, não se deve retirar ar para baixar o valor, sob o risco de deixar o pneu com subpressão assim que as temperaturas estabilizarem.
• Rever a frio: Sempre que possível, importa retificar a calibração na manhã seguinte, garantindo que os valores estão perfeitamente alinhados com as especificações do construtor.

Checklist de manutenção: verificação de desgaste e validade

Uma rotina de manutenção de pneus atenta é a forma mais eficaz de mitigar o risco de furos ou rebentamentos em plena viagem. A Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR) aponta o mau estado dos pneus como uma das principais causas de sinistralidade associada a falhas mecânicas.

Para garantir que o veículo se encontra apto a circular, importa realizar uma verificação visual periódica assente nestes quatro pontos críticos que deixamos de seguida.

• Profundidade do piso: Em Portugal, o limite legal mínimo para a altura do rasto é de 1,6 mm. Recomenda-se, contudo, monitorizar os indicadores de desgaste colocados nos sulcos (as marcas TWI) e planear a substituição do pneu antes de atingir este limite crítico.
• Padrão de desgaste: Se o desgaste se concentrar apenas nos ombros exteriores ou no centro do pneu, tal indica problemas de pressão incorreta ou necessidade premente de alinhar a direção do automóvel.
• Fissuras e deformações: O surgimento de pequenos cortes na lateral, bolhas ou deformações estruturais exige a substituição imediata do pneu, dado o elevado risco de cedência sob carga.
• Idade da borracha (DOT): Mesmo que o pneu apresente muito rasto, os compostos químicos degradam-se e perdem elasticidade com a idade e com a exposição solar contínua. A maioria dos especialistas recomenda a renovação após 5 a 6 anos de utilização.

Aproveitar as paragens estratégicas na rede de postos PRIO para inspecionar os pneus e utilizar os equipamentos de calibragem disponíveis é um passo simples que eleva a segurança de todos os passageiros. Garantir que a ligação entre o automóvel e a estrada se mantém nas condições ideais é o verdadeiro segredo para uma viagem de verão económica, tranquila e totalmente segura.




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