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Se tem ou está a pensar comprar um carro elétrico, já deve ter ouvido a palavra wallbox várias vezes, muitas vezes sem uma explicação clara do que ela significa na prática. Não é um acessório de luxo nem um capricho, é o equipamento que torna o carregamento em casa mais rápido e, sobretudo, mais seguro do que ligar o carro a uma tomada comum.
A PRIO explica-lhe neste artigo o que é uma wallbox, que potências existem, o que diz a lei sobre a instalar em casa ou num condomínio, e o que a PRIO tem disponível para quem quer avançar com a compra de uma.
Afinal, o que é uma wallbox?
Uma wallbox é um carregador de parede dedicado ao carregamento de veículos elétricos, instalado de forma fixa em casa, no local de trabalho ou num parque de estacionamento. Ao contrário de uma tomada elétrica comum, foi concebida especificamente para gerir a corrente entregue ao veículo de forma controlada e segura, protegendo tanto a instalação elétrica do imóvel como a bateria do carro.
Porque não deve usar apenas a tomada de casa?
Tecnicamente, é possível carregar um carro elétrico numa tomada doméstica comum, mas a MOBI.E, entidade gestora da rede nacional de mobilidade elétrica, desaconselha esta prática para uso regular. Uma tomada convencional entrega tipicamente cerca de 2,3 kW, uma potência que não foi pensada para suportar horas seguidas de carga contínua e que não tem os mecanismos de segurança de um carregador dedicado.
Na prática, isso traduz-se também em tempo: para uma bateria de cerca de 50 kWh, uma tomada comum a 2,3 kW pode demorar mais de 20 horas a completar o carregamento. Uma wallbox resolve os dois problemas ao mesmo tempo, tornando o carregamento mais rápido e mais seguro.
Que potências de wallbox existem?
As wallbox domésticas disponíveis no mercado oferecem, geralmente, potências de 7,4 kW, 11 kW ou 22 kW. As duas primeiras funcionam com uma instalação monofásica, enquanto os modelos de 11 kW e 22 kW exigem uma instalação trifásica e potência contratada suficiente para o efeito.
Para dar uma ideia prática da diferença, e sempre para uma bateria de referência de 50 kWh: a cerca de 7,4 kW, o carregamento completo ronda cerca de 7 horas e a 22 kW, pode ficar perto das 2 a 3 horas, dependendo da capacidade do carregador de bordo do próprio veículo em aceitar essa potência. Vale notar que nem todos os carros conseguem aproveitar as potências mais altas, por isso é importante confirmar a potência máxima de carregamento AC do seu modelo antes de escolher a wallbox.
O que diz a lei sobre instalar uma wallbox em casa ou num condomínio?
A instalação de pontos de carregamento em Portugal está atualmente enquadrada pelo Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, que revogou a legislação anterior sobre esta matéria e estabelece o regime jurídico da mobilidade elétrica atualmente em vigor.
Para quem vive em casa própria com ligação direta à rede, a instalação de uma wallbox é, regra geral, um processo simples que passa por um técnico habilitado e pelo cumprimento das regras técnicas definidas pela DGEG. Para quem vive em condomínio, a situação tem regras específicas: segundo o Artigo 23.º do diploma, qualquer condómino pode instalar um ponto de carregamento a expensas próprias em edifícios já existentes, desde que cumpra os requisitos técnicos aplicáveis. Sempre que a instalação use partes comuns, mesmo que afetas ao uso exclusivo do condómino, é necessário comunicar por escrito à administração do condomínio com pelo menos 30 dias de antecedência.
O condomínio só se pode opor com fundamentos específicos definidos na lei, como a existência de uma infraestrutura partilhada equivalente, o compromisso de instalar uma solução comum em 90 dias, ou um risco de segurança comprovado por parecer técnico. A decisão deve ser tomada no prazo de 30 dias após a comunicação. Para edifícios novos, o Artigo 22.º do mesmo diploma exige que o projeto já preveja infraestrutura elétrica preparada para mobilidade elétrica, mesmo que o ponto de carregamento final ainda não seja instalado de imediato.
Em termos técnicos, a instalação de qualquer ponto de carregamento deve ser feita por um técnico habilitado nos termos da Lei n.º 14/2015 e seguir o Guia Técnico da DGEG (CTE64), com proteções adequadas, entre as quais um dispositivo diferencial residual (DDR) individual de 30 mA dedicado ao ponto de carregamento. Esta não é uma instalação para fazer por conta própria, mesmo que pareça tecnicamente simples.
Segurança e controlo do carregamento
Uma das vantagens práticas da wallbox está na forma como pode gerir a carga em função do resto do consumo elétrico da casa, se estiver equipada com balanceamentos de carga. Se, durante o carregamento, existirem outros equipamentos ligados em simultâneo, a wallbox irá ajustar a intensidade da carga para evitar uma sobrecarga do quadro elétrico. Em sentido inverso, em períodos de menor consumo doméstico, é possível aproveitar potência disponível para acelerar o carregamento.
Em instalações partilhadas, como um condomínio ou um parque de empresa, muitos modelos de wallbox permitem ainda controlar o acesso através de cartão RFID ou de aplicação, evitando que terceiros utilizem o equipamento sem autorização.
Tipo 1 e Tipo 2: os conectores mais comuns
As wallbox e os cabos de carregamento associados variam também no tipo de conector. O conector Tipo 1 tem 5 pinos (fase, neutro, terra, deteção de inserção e piloto de controlo) e é mais comum em veículos de origem asiática mais antigos. O conector Tipo 2, hoje o padrão de facto na Europa, tem 7 pinos, já que inclui três fases em vez de uma, permitindo o acesso às potências mais altas de carregamento trifásico.
As opções de wallbox disponíveis na PRIO
Na loja online da PRIO encontra atualmente wallbox de marcas como Trydan, Veltium e Alfen, com opções monofásicas de 7,4 kW e trifásicas de 11kW e 22 kW, além de carregadores portáteis de menor potência para quem procura uma solução mais económica ou de transição. Também há modelos com socket e RFID incorporados, pensados para instalações partilhadas em condomínio ou empresa.
Para além do equipamento, vale a pena associar a wallbox ao cartão PRIO ELECTRIC, caso esta permita a funcionalidade DPC. A combinação de wallbox em casa e cartão para o resto do país é, para a maioria dos condutores, a forma mais prática de gerir a mobilidade elétrica no dia a dia.
Vale a pena instalar uma wallbox?
Para quem já tem um carro elétrico ou está a pensar comprar um, a resposta é praticamente sempre sim. A diferença de tempo de carregamento face a uma tomada comum é significativa, a segurança da instalação é muito superior, e a possibilidade de controlar consumos e restringir o acesso torna a wallbox um investimento que se paga com comodidade desde o primeiro dia.
Antes de avançar, confirme sempre a potência contratada disponível em casa, a compatibilidade do seu veículo e, se vive em condomínio, os passos legais junto da administração. Feito isso, escolher a wallbox certa é o último passo antes de deixar de depender por completo dos postos de carregamento públicos para o dia a dia.
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